Dentro do conceito de responsabilidade social, ganham cada vez mais espaço dentro de grandes empresas os programas de voluntariado, que deixam de ser ações pontuais e viram uma prática permanente. Ótimo para a imagem da companhia. Mas, e para o funcionário, qual a vantagem de participar desse tipo de iniciativa? Além de estimular o sentido de solidariedade, dizem especialistas, a integração melhora o clima laboral e acentua a noção de trabalho em equipe. E, em última instância, melhora até a produtividade, pois o funcionário passa a se sentir mais atuante dentro da organização.
A Companhia de Distribuição de Gás (CEG) está estruturando o seu programa de voluntariado, o "Gentileza", formando um grupo de trabalho para desenvolver projetos permanentes. As primeiras ações foram duas campanhas de arrecadação: a "Natal Solidário", realizada em dezembro passado e através da qual funcionários apadrinharam crianças de instituições apoiadas pela empresa, doando brinquedos, roupas, e material escolar; e outra para ajudar os desabrigados pelas chuvas que atingiram o estado em abril.
Gerente de Comunicação da empresa e responsável pelo programa, Fernanda Amaral afirma que a ideia é reunir pessoas de várias áreas da companhia que se interessem pelo voluntariado, pois assim amplia-se o potencial multiplicador.
- Nosso objetivo é reforçar o vínculo dos funcionários com questões sociais e a própria responsabilidade da empresa com essas questões: tudo o que é arrecado nas campanhas pelos funcionários, a empresa doa em igual quantidade. A participação nas duas campanhas foi muito grande, e funcionários até arrecadavam com vizinhos ou em outras empresas por conta própria. O que eles recolhiam, traziam para a CEG, ao invés de doar diretamente, porque sabiam que a empresa ia dobrar a doação - diz Fernanda, ressaltando que o nome do programa foi escolhido de forma participativa por cerca de 80% dos funcionários.
A Ampla desenvolve desde 2004 um programa de voluntariado interno para integrar seus funcionários em ações sociais e beneficiar a população atendida pela empresa. Batizado de "Compartilhar", ele já beneficiou mais de 30 mil pessoas de 14 instituições da área de concessão da distribuidora, que abrange 66 cidades do Estado do Rio. As principais ações do "Compartilhar" são doações e mutirões voluntários. A Ampla realiza periodicamente um mapeamento das instituições mais necessitadas de sua área de concessão, incluindo casas de acolhimento, creches e abrigos carentes e, dependendo da necessidade de cada local, desenha a melhor estratégia para atuar com o programa.
Analista de segurança de informação, Alcir Celso trabalha há 32 anos na Ampla. E afirma que participar do programa de voluntariado lhe trouxe uma outra visão do que é ajudar e participar de uma causa:
- Participo desde 2007, quando li sobre o programa na intranet. Normalmente fazemos serviços de pintura e limpeza em creches. Eu não imaginava que fosse tão bom para mim. Você vai achando que vai só ajudar as crianças, e no fim do dia percebe que você é que foi ajudado com aquela convivência. Não vou parar de participar, já me inscrevi para outra ação que vai acontecer semana que vem.
O diretor de Relações Institucionais da Ampla, André Moragas, afirma que oferecer um programa de voluntariado é importante para que a empresa gere, inclusive, empatia com seus funcionários:
- Vários estudos comprovam que tanto os mais novos quanto os mais velhos não trabalham numa empresa só para estar empregado. Trabalham também por acreditar no que a empresa faz. Cada vez mais o funcionário busca uma causa. É preciso que a empresa, então, ofereça uma causa que se identifique com o valor do funcionário, aquilo que ele já traz de casa. Assim, gera-se o orgulho de trabalhar na companhia. Outro ponto é que muitas vezes o funcionário deseja participar de ações assim, mas não tem tempo fora do seu horário de trabalho. Dar a ele essa possibilidade é muito. No fim das contas, ele acaba tendo um desempanho melhor.
A Unimed-Rio, por sua vez, acaba de dar cara nova ao seu programa de voluntariado. Agora, os próprios funcionários da empresa vão sugerir as ações que gostariam de fazer. Todas as ideias inscritas serão analisadas e priorizadas, e as mais viáveis e alinhadas com a política de sustentabilidade da empresa receberão apoio financeiro, de divulgação e de logística para se tornarem reais.
- Pensamos em permitir que os funcionários deem sugestões de ações a partir da constatação de que o envolvimento de um voluntário com seu trabalho social depende em grande parte de identificação, intimidade com o público assistido e percepção de importância do que se faz. É uma iniciativa pensada para projetos de curta duração, sem continuidade, que poderão ser conduzidos por grupos de colaboradores, seus familiares e amigos de fora da empresa - explica Ana Vargas, gestora de Sustentabilidade da Unimed-Rio.